Olá!
O Brasil deu um passo importante para ampliar sua infraestrutura digital. A nova lei que cria o Redata oferece incentivos fiscais para a instalação de data centers e tenta aproximar capacidade computacional, inteligência artificial, sustentabilidade e investimentos em pesquisa.
Ao mesmo tempo, uma auditoria da CGU sobre o Serpro mostra que ampliar investimentos em inovação também exige escolher os instrumentos certos, justificar decisões e construir segurança jurídica para que os projetos avancem.
Infraestrutura, capital e tecnologia abrem novas possibilidades. Mas é a capacidade institucional de conectar esses recursos a problemas reais, regras adequadas e estratégias de execução que transforma investimento em resultado público.
É sobre essa conexão que tratamos nesta edição.
Boa leitura!
─ Por Matheus Costa, CEO Innovc
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NOTAS DE INOVAÇÃO
OPINIÃO | Lei do Bem ainda é subutilizada no Brasil. Mesmo consolidado, o incentivo fiscal ainda alcança uma parcela limitada das empresas que poderiam investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Saiba mais
SEGURANÇA DIGITAL | Abin regulamenta aplicativo seguro para órgãos públicos. A solução permite a troca protegida de mensagens e informações entre instituições governamentais.
IA | TCE-PB lança ferramenta para pesquisar e cruzar informações em processos. A tecnologia busca facilitar o trabalho de consulta e análise realizado pelo tribunal.
RECONHECIMENTO | Sandbox de IA da ANPD é finalista de prêmio internacional. O projeto brasileiro concorre no Global Privacy and Data Protection Awards e também participa da categoria de voto popular.
ICT | Londrina ganha uma nova ICT privada. O Instituto IDEI nasce com a proposta de conectar ciência, tecnologia, empresas e projetos de inovação.
Direito, Tecnologia e Inovação. No dia 16 de outubro acontece a segunda edição do Tech Venture Law Summit, no Rio de Janeiro.
INNOVC | Municípios que Inovam recebe Rafael Cuba. No quarto episódio da websérie, o especialista mostra como Design Thinking e metodologias ágeis ajudam a identificar problemas e organizar projetos de inovação pública.
NESTA EDIÇÃO:
🖥️ Nova lei cria incentivos fiscais para data centers e inteligência artificial
⚖️ CGU pede revisão do modelo usado em 93,4% dos investimentos em inovação do Serpro
🚀 Brics propõe fundo e rede internacional para apoiar startups
Semana terminando? A InnovGov separou pra você o que importa. Vamos nessa?☕🚀
INFRAESTRUTURA DIGITAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Nova lei cria incentivos para data centers e investimentos em IA

(Imagem: Adobe Stock)
Foi sancionada a Lei nº 15.504, que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. A norma prevê a suspensão do Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e IPI na compra de equipamentos destinados à instalação e à operação de data centers no Brasil. A estimativa do governo é que o benefício represente cerca de R$ 5,2 bilhões em renúncia tributária em 2026 e R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.
Para acessar os incentivos, as empresas deverão cumprir contrapartidas. Entre elas estão o uso de energia limpa ou de baixa emissão, metas de eficiência hídrica, investimentos no país equivalentes a 2% dos produtos adquiridos com o benefício e a destinação de pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados ao mercado brasileiro.
A lei também permite que essa capacidade seja direcionada a instituições de ciência e tecnologia ou ao poder público para apoiar políticas públicas e iniciativas de fomento a startups. Pelo menos 40% dos investimentos em projetos e programas de economia digital deverão ser destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
💬 Insight Innovc
O Redata não trata apenas de atrair data centers. Suas contrapartidas tentam conectar infraestrutura computacional, sustentabilidade, mercado interno e pesquisa. O resultado dependerá da regulamentação e, principalmente, da capacidade de aproximar essa nova infraestrutura de ICTs, startups e desafios públicos que precisam de capacidade tecnológica para avançar.
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Antes de buscar a solução, você precisa entender o desafio
No dia 22/09, a websérie Municípios que Inovam receberá Rafael Cuba, especialista na metodologia de Design Thinking, e que já formou mais de 400 consultores do Sebrae em métodos para mapear desafios públicos inovadores.
Rafael tem mais de 10 anos ajudando gestores públicos a inovar e vai mostrar, de maneira bem prática, como usar essas ferramentas para mapear e entender o problema, definir prioridades e organizar os próximos passos do projeto.
📅 22/09 | às 11h
Online e gratuito
GOVERNANÇA E SEGURANÇA JURÍDICA DA INOVAÇÃO
CGU pede revisão do modelo usado em 93,4% dos investimentos em inovação do Serpro

(Imagem: Sede do Serpro - Brasília/DF)
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União colocou sob revisão o principal mecanismo utilizado pelo Serpro para estruturar investimentos relacionados à inovação. Em 2024, as Parcerias em Oportunidades de Negócio, conhecidas como PON, concentraram 93,4% desses investimentos.
O modelo é fundamentado no artigo 28, parágrafo 3º, inciso II, da Lei das Estatais, que permite afastar o regime licitatório comum quando a escolha do parceiro estiver vinculada a uma oportunidade de negócio específica e houver inviabilidade de competição. A CGU identificou, porém, que os processos do Serpro utilizam chamamentos públicos, pontuação, classificação, critérios de desempate e recursos, características próprias de uma disputa competitiva.
A Controladoria concluiu que o regulamento precisa separar com mais clareza a caracterização comercial de uma oportunidade de negócio da justificativa jurídica para não aplicar uma licitação comum. A auditoria também observou que instrumentos próprios para situações de incerteza e risco tecnológico, como o CPSI e a Encomenda Tecnológica, ainda não estavam operacionalizados pelo Serpro.
A estatal aceitou o diagnóstico e informou que revisará seu regulamento. Também pediu prazo até 30 de dezembro de 2026 para estruturar fluxos, documentos e critérios para a utilização de CPSI e Encomenda Tecnológica.
💬 Insight Innovc
Inovação não dispensa motivação, governança ou segurança jurídica. Escolher um instrumento apenas porque ele parece mais flexível não é suficiente. Cada projeto precisa demonstrar por que o modelo adotado é adequado ao problema, ao risco tecnológico e às condições concretas da contratação. Quanto maior a escala do investimento, mais importante se torna essa clareza.
Ainda mais sobre governança e experimentação
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Seu munícipio que inovar, mas não sabe por onde começar?
Criamos um guia gratuito que mostra, de forma prática, o que fazer, quais instrumentos usar e como transformar boas ideias em projetos que realmente saem do papel.
Uma leitura imperdível para quem atua com inovação pública.
CAPITAL E ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO
Brics propõe fundo e rede internacional para apoiar startups

(Imagem: Brics - Nova Délhi, Índia)
Os países do Brics apresentaram, durante a 18ª Cúpula do bloco, em Nova Délhi, uma proposta para criar um fundo destinado a startups. A iniciativa deverá apoiar tecnologias escaláveis e ampliar o acesso a capital entre os países integrantes e seus parceiros.
Também foi anunciada a proposta de uma Rede de Incubadoras do Brics, voltada a conectar incubadoras, aceleradoras e startups, estimular o intercâmbio de conhecimento e apoiar projetos desenvolvidos em conjunto. Entre as áreas mencionadas estão inteligência artificial, infraestrutura digital, saúde, energia limpa e soluções para desafios urbanos e climáticos.
O fundo ainda está em fase de proposição e não teve seu volume financeiro ou regras operacionais divulgados. Para o ecossistema brasileiro, a iniciativa pode representar uma nova rota de capital e cooperação, especialmente para empresas que já validaram suas tecnologias e precisam acessar outros mercados para ganhar escala.
💬 Insight Innovc
A relevância da proposta não está apenas no capital. A combinação de fundo, incubadoras e cooperação internacional pode construir uma jornada mais completa para startups que enfrentam desafios comuns aos países emergentes. Para aproveitar essa oportunidade, os negócios brasileiros precisarão demonstrar impacto, capacidade de execução e potencial de adaptação a diferentes mercados.
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